“Quando o indivíduo acorda, repararão na ténue aura verde fosforescente junto ao seu corpo todo, aura essa que se chama ENO.”
Para mim acordar é o seguinte:
Estou numa caminha de colchão grosso e mole, dentro de um pijama fofinho. A roupa de cama é de flanela vermelha, e o edredon é daqueles aos quadrados inchados, vermelho de um lado e dourado do outro. Uma luz difusa, amarela e agradável, poucos móveis de madeira. Um cheirinho a mofo e a paz, silêncio quase absoluto.
Entretanto toca o despertador. Tenho de sair do ninho e dirigir-me para a saída: um buraco no tecto, no canto do compartimento. Tenho de subir por umas escadas de metal, passo a escotilha e encontro-me no meio de alguma zona de serviço, negra e gotejante, há tubos enferrujados e furos que deitam vapor. Cheira a óleo e a fumo. Continuo a subir pela escada de metal, e cada vez mais se sente a humidade, barulhos de máquinas, cheiros oleosos. Continuo a subir, e a saída está um pouco mais acima. Abro a escotilha, e vou dar ao meio de uma tundra gelada. Tudo está nevado, e um pouco mais à frente está um lobo esfomeado a olhar para mim de um lado, do outro está um urso que também me quer comer. Apetece-me muito voltar para baixo.
Entretanto toca o despertador. Tenho de sair do ninho e dirigir-me para a saída: um buraco no tecto, no canto do compartimento...
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De manhã está-se bem é na cama.
Phisiologia Apócrifa
Para mim acordar é o seguinte:
Estou numa caminha de colchão grosso e mole, dentro de um pijama fofinho. A roupa de cama é de flanela vermelha, e o edredon é daqueles aos quadrados inchados, vermelho de um lado e dourado do outro. Uma luz difusa, amarela e agradável, poucos móveis de madeira. Um cheirinho a mofo e a paz, silêncio quase absoluto.
Entretanto toca o despertador. Tenho de sair do ninho e dirigir-me para a saída: um buraco no tecto, no canto do compartimento. Tenho de subir por umas escadas de metal, passo a escotilha e encontro-me no meio de alguma zona de serviço, negra e gotejante, há tubos enferrujados e furos que deitam vapor. Cheira a óleo e a fumo. Continuo a subir pela escada de metal, e cada vez mais se sente a humidade, barulhos de máquinas, cheiros oleosos. Continuo a subir, e a saída está um pouco mais acima. Abro a escotilha, e vou dar ao meio de uma tundra gelada. Tudo está nevado, e um pouco mais à frente está um lobo esfomeado a olhar para mim de um lado, do outro está um urso que também me quer comer. Apetece-me muito voltar para baixo.
Entretanto toca o despertador. Tenho de sair do ninho e dirigir-me para a saída: um buraco no tecto, no canto do compartimento...
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De manhã está-se bem é na cama.
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