Mostrar mensagens com a etiqueta Espanha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espanha. Mostrar todas as mensagens

1 de abril de 2009

Echpanhola

Vive no meu quarto um palhaço, muito quieto
Só se mexe quando não vê ninguém por perto.
Não dorme, não come, não fala, não anda.
Fica apenas parado, juntinho da varanda.


Trabalha no mesmo edifício que eu uma espanhola fanhosa que reúne duas características muito peculiares: é espanhola, e é fanhosa. Ao mais alto grau. Não vou descrevê-la ao pormenor por medo do libelo; vou apenas adiantar que é bastante forte, e não tem uma linha de cabelo certa: tem sim um degradé hirsuto desde o cabelo, muito preto, até à frente da cara, composto por aquele tipo de pêlo que não é bem cabelo mas também não é barba.

Conheci-a quando ela me explicou como funcionava o seu espectrofotómetro (tende em conta que se trata de uma espanhola fanhosa). O meu fascínio por ela, desde então, não parava de aumentar. Ao ponto de, quando nos encontrávamos cá fora e ela estava a falar com alguém, tentava aproximar-me, não para ouvir a conversa, mas sim para a ouvir falar. Inconscientemente, as minhas glândulas salivares apertavam-se, como quando se dá aquela primeira dentada numa maçã verde. Ouço-a dizer “si” com deleite (gostava que houvesse uma consoante para o som que ela emite, o mais próximo seria “chchchciiiii”, mas com perdigotos): Ouve-se um ciciar, ou um borbulhar, parece que tem um bule de chá a ferver dentro da boca, ou que tem a boca cheia de peta-zetas. É um prazer culpado, bem sei, como aquele de estalar bolinhas do plástico de embrulho, um pau de giz a riscar um quadro ou o esfarelar de esferovite. Costuma também, e para o meu agrado, andar com dois pares de óculos: uns escuros e uns “de ver”. Os que usa à frente dos olhos depende se está fora ou dentro do edifício. Os que não usa estão colocados em cima da cabeça.

Por alguma razão, nunca mais consegui ter hipótese de a ouvir. Quando eu apareço ela cala-se, mesmo quando está a falar com outras pessoas.
Não sei se tem alguma coisa a ver, mas ainda não fiz nenhum amigo espanhol.

22 de março de 2009

Falhas em Valência


Nenhum de nós sabia exactamente do que se tratava. Sabíamos que havia fogo, que havia festa, que havia bombas. Mas julgo que nenhum de nós estaria minimamente à espera do que fomos encontrar.

Valência em chamas.

Sei como foram os bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial pelos filmes e documentários, mas nunca soube o que seria lá estar... Mas fiquei com a ideia mais próxima que poderia: Miúdos de 4 anos até velhos a atirar bombas para o chão, para os edifícios. Desde estalinhos até obuses. Tudo explodia à minha volta, coisas ardiam por todo o lado.
Os edifícios menos afortunados explodiam.




Por todo o lado cheirava a enxofre e a álcool. Andávamos de um lado para o outro a ver a revolta, a ver a destruição dos ícones com expressão de animado terror. Na mesma cidade, encontrávamo-nos nós, com acesso a álcool e a bombas... parecia um menino de 10 anos.



Raios feéricos atravessavam os céus.

Como uma demoníaca metáfora, aos poucos fomos levados a acreditar que tudo o que é bonito acabaria por perecer. Tudo é fútil nesta vida, tudo é efémero, e a entropia do Universo tende realmente a aumentar.

Isto


Transformou-se nisto.


O alvorecer da humanidade. O fogo, a luz e as bombas. Bombas por todo o lado. Dei por mim a fugir de uma beata de um cigarro que fumegava no chão, atirado por um velhote. Depois o velhote atirou-me uma bomba aos pés.

Não se distinguiam as pessoas que participavam na festa das que vinham apenas assistir, porque todos tinham bombas.


Para o ano vou voltar, e desta vez vou comprar mais bombas. Comprei 6 rompe-vigas, 50 super-diablos e 50 carpinteiros. O rompe-vigas é um pouco demais: está algures a meio caminho entre uma granada de mão e uma ogiva termonuclear.
Em termos de comparação, um super-diablo é cerca de um terço do tamanho do rompe-vigas e, aceso dentro de uma garrafa de vidro, torna-se uma mina Claymore.

Os carpinteiros, pequenos mas audazes, foram os primeiros a serem sacrificados. Não obstante, o seu rebentamento dá pena de prisão em qualquer lado que não nas Fallas Valencianas. O seu pavio curto e corpo roliço, depois de umas poucas cervejas, deixa-nos com a tantalizante ilusão de que se pode rebentar na mão sem perder dedos.

Erro!

Tínhamos uma demanda por encontrar o maior explosivo de que há memória, de seu nome Megatron. Custava 10 euros, e sabíamos que havia uma loja que o tinha. Constou-nos que tinha plutónio, um bocadinho menos que a massa crítica para não destruir a cidade. E que o ar em volta se trasformava em plasma.



No fim, acabou por se tratar de uma lição de vida que todos aprendemos. Tudo está destinado a morrer em chamas.


A nossa roupa cheirava a pólvora, tínhamos a boca seca. Os fogos ainda queimavam na retina. Passeámos sem rumo pelos destroços da cidade, e ao longe ainda se ouviam explosões e os seus ecos a reverberar pelas ruas. Estávamos sujos e satisfeitos: o meu cabelo tinha cinza das explosões, ou de pessoas que pereceram. A nossa provisão de bombas estava a acabar, e a orgia de fogo, luzes e bombas tinha tirado os seus dividendos. Cansados mas felizes, tínhamos de ir desintoxicar os sentidos.

Haveria aqui uma metáfora envolvida? Que depois da tempestade viria finalmente a bonança? Fiquei convencido que sim, depois de fazer um pequeno buraco na areia e lá colocar o nosso último rompe-vigas. Acendemos o rastilho, afastámo-nos... e nada. Apenas as gaivotas se ouviam.
Depois viemos embora.

14 de março de 2009

Hamburguesa?

O hambúrguer mais complexo que já me passou pelas mãos.

Precisamente a meio caminho entre comer à mão ou de faca e garfo. Atenção que a imagem não está à escala: o buraco no meio do pão é do tamanho da minha cabeça.

Acreditam:

Seguidores